Como terminei minha noite em Ibiza apaixonado por uma inglesa e ouvindo Jorge e Mateus


 Espanha, Ibiza      4452 visualizações

Não existem noites normais em Ibiza. Eu quase tinha me esquecido disso, mas em uma noite de setembro, quando voltava para casa, comprovei que realmente não existem.

Eu estava sozinho. A temporada já tinha praticamente terminado e meus amigos haviam ido embora. Finalmente o apartamento era só meu. O que era bom, pelo fato da pia não estar lotada de pratos sujos e do chão sem bitucas de cigarro. Ruim porque não teria ninguém para conversar e inventar algum plano maluco para aquela noite. E foi aí que a mágica de Ibiza aconteceu. A chave não entrou.

Tentei de novo. E de novo. Forcei. E enfim comecei a investigar.

- Mas que grandessíssimo filho da puta! – eu disse, quando percebi o que tinha acontecido. Meu aluguel venceu e o zelador trocou minha fechadura sem me falar nada.

Lá dentro estava todo meu dinheiro e meus documentos, o que fez a escolha de passar a noite em algum albergue ou hotel impossível. E meu celular estava quase acabando a bateria. Então, agi rapidamente, joguei um post no Facebook para ver se alguém me adotava e liguei para um grande amigo, Bernardo Sorridente, vir ao meu socorro, com uma muda de roupa limpa. Mas, quando terminei a ligação, vi uma luz no fim do túnel, literalmente: a luz do quarto da minha vizinha estava acesa do outro lado do corredor.

Eu morava no condomínio de trabalhadores ingleses de És Vedra, em Santo Antônio, Ibiza. Um favelão britânico. A maioria dos meus vizinhos eram traficantes ou estavam constantemente em viagens alucinógenas. Se você estiver pensando em ir para Ibiza, não se choque. Lá tomar ecstasy para sair de noite é quase como comer sucrilhos no café da manhã (fica o aviso). Mas aquela minha vizinha era diferente. E era gatinha. E também já tinha dormido comigo duas noites naquela semana. Ou seja, pareceu a escolha ideal naquele momento.

Com a maior cara de pau possível, bati na porta e disse que tinha virado sem teto.

- What?! – perguntou ela, rindo instantaneamente.

- Pepper in others people’s eyes is medicine – eu respondi ,tentando traduzir em vão um famoso ditado brasileiro.

Obviamente ela não entendeu o significado da frase, mas me acolheu do mesmo jeito. E foi aí que o Bernardo Sorridente chegou, não só trazendo roupas limpas, como cerveja. E um convite: aquela noite era o encerramento da Flower Power, a festa temática inspirada nos anos 60 e 70 na Pacha. Eu poderia ir completamente maltrapilho, já que todo mundo se fantasiava de hippie. E a festa era grátis para trabalhadores da ilha! Ou seja, não gastaria nada!

Stefano  Giorgi adicionou foto de  Foto 1

A escolha era óbvia. Pulei no chuveiro, me vesti como um hippie maltrapilho graças a escolha de roupas que o Bernardo Sorridente me trouxe e fomos direto para a festa.

Se algum dia você for para Ibiza, não deixe de ir na Flower Power. É provavelmente a melhor festa que já fui na minha vida. A música é composta pelos hits dos anos 60 e 70. A decoração e os efeitos de luzes te fazem viajar no tempo. Todo mundo está fantasiado e com flores nos cabelos. E do nada aparece um James Brown, um Mick Jagger ou uma Aretha Franklin para fazer um show no palco.

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Eu só me liguei que a noite tinha acabado quando eram sete da manhã e a pista estava quase vazia. Eu e minha vizinha ficamos juntos a noite toda, curtindo a festa. Já o Bernardo Sorridente ficou mais louco que o Keith Richards e nós o perdemos no comecinho da festa. Mas, como o próprio Keith, ele também era velho de guerra, por isso não me preocupei muito na hora de ir embora e pegar o ônibus para casa sem ele.

Eu estava acabado. Meu pé estava machucado porque tinha ido na balada de Havaianas e alguns cacos de vidro tinham entrado nos meus dedos. E minha companhia não estava muito melhor do que eu. Nós só queríamos pegar o ônibus e voltar para Santo Antônio o mais rápido possível. Mas, quando saímos da Pacha, o sol estava nascendo. E ver o sol nascendo no castelo de Ibiza é uma coisa espetacular.

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Eu não lembro sobre o que conversávamos. E nem lembro como aconteceu. Mas sei que em determinado ponto daquele amanhecer começou a tocar sertanejo universitário no meu celular. Jorge e Mateus para ser mais exato. E ela me pediu para dançar aquele ritmo que nunca tinha escutado antes. Então, lá estava eu, em uma torre de um castelo medieval, dançando sertanejo universitário, vendo o nascer do sol em Ibiza com uma menina por quem naquele momento eu estava totalmente apaixonado, mas que provavelmente nunca mais veria de novo.

O local, a trilha sonora, o momento, a companhia... tudo era totalmente impensável. Mas em Ibiza era possível. E aconteceu.

Stefano  Giorgi adicionou foto de  Foto 4

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COMENTÁRIOS:

Martha Sousa

Martha Sousa comentou 3 anos atrás

Show Stefano!!! São estas estórias, que tornam as viagens tão mágicas e interessantes e por que não viciantes também!!!. Abraços.

Bernardo Cunha

Bernardo Cunha comentou 3 anos atrás

Sensacionaaal!!!

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Qual seria a graça da vida se não fossem nossas experiências e as emoções que elas nos causam? Histórias e lembranças são os melhores souveniers de viagem. :) Ana

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