Meu intercâmbio em plena casa dos trinta


  Toronto, Canadá

O que eu poderia ter feito aos dezoito ou vinte, fui fazer na casa dos trinta, se é que tem idade certa para uma experiência assim.

Acho que tive medo quando era mais jovem ou falta de interesse em ir atrás. Mas, ter feito intercâmbio nesta fase além de um enorme crescimento pessoal foi por um motivo além do inglês.

A vontade de viver num outro país, numa outra cultura, de sair da zona de conforto e num país tão multicultural como Toronto, fez com que um outro idioma se tornasse pequeno perto de tamanhas experiências. Já que nesta altura o inglês para mim é para o pessoal, para minhas viagens.

E aprendi lá, que preciso me comunicar, cada povo fala o inglês de acordo com seu sotaque, parecia que os mais esforçados eram os brasileiros, talvez só parecesse....rs

As pessoas ao meu redor, muitas delas não conseguem entender como meu marido e eu vendemos nossos carros, juntamos umas economias e vivemos seis meses estudando e passeando sem trabalhar. E me perguntam se eu me arrependi do que fiz, porque voltei numa crise brava neste país, e minha resposta sempre será a mesma: me arrependo de não ter ficado mais. E não recuperamos nossos carros porque fizemos um intercâmbio, mas quando você vê o quanto um carro é barato lá, vê-se que não perdemos nada e como direi abaixo, tem muita coisa que não tem preço.

Não tem preço ter almoçado na ação de graças na casa de um Lord inglês comendo peru regado com gravy, com legumes, pães e de sobremesa torta de abóbora e de maçã, ter ido com as crianças no halloween pedir doces ou travessuras, com as casas enfeitadas de terror, e as fantasias tão reais, um Natal em outra cultura com desfile em carros alegóricos com papai noel, doendes, bandas nas ruas, e as vitrines das lojas e shoppings lindamente decorados como se estívessemos na terra do papai noel, e não estou falando de presentes e ostentação, mas da magia que você sente, comer coxa de peru defumada num tipo de quermesse aberta num frio de uns menos 10 graus, degustar outros sabores, e numa noite de virada de ano estar numa praça, num show onde as únicas bebidas num copo seriam café, chocolate quente ou chá, já que não se pode beber nada alcóolico nas ruas.

E ao visitar uma faculdade lá, ver que a minha não chegou perto nem da High School deles.

Você ir num aniversário onde as crianças comem brócolis, mini cenouras, frutas.

Passar pelas estações de metro ouvindo músicas clássicas tocadas ao vivo e andar sem o medo daqui. É claro que lá existe o perigo, mas é raríssimo alguém roubar a tua bolsa, o teu celular ou te enfiar uma agulha como acontece frequentemente aqui.

E o verão canadense, ah o verão, como aproveitam cada segundo de sol, com feiras ao ar livre, os festivais, os passeios pela orla do lago ontário, passeios de barco, de bicicleta.....

Você pegar o metrô lotado num horário de pico e ter tanta educação, o metrô ter que parar por problemas técnicos e todos descerem sem ninguém pisar no teu pé, te empurrar ou correr e a área ser desocupada com tanta organização.

E uma arquitetura antiga magnifíca e jardins tão bem cuidados contracenando com prédios modernos.

Uma cidade subterrânea completa, para o rigoroso inverno, que mais parece um shopping.

Meu choque cultural só ocorreu quando pisei no aeroporto de São Paulo, de volta a realidade, a falta de educação e organização, e aí como doia meus ouvidos ouvir tanta gente junta falando o português.

Digo que não voltei, a saudade de minha família me consumia e as festas e reuniões que não participei me faziam tanta falta, mas um pedaço de mim ficou, e quer sair mundo a fora, sem lugar, horário ou data.

Recomendo sua partida para um outro país, seja para aprender, estudar ou aproveitar outra cultura. Você nunca mais será o mesmo.

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COMENTÁRIOS:

Camila Botelho

Camila Botelho comentou 2 anos atrás

Nosso me identifiquei muito... aconteceu a mesma coisa comigo mas estava em Vancouver!! A idade talvez tenha sido o diferencial para melhor adaptação..

Fernando Ceron

Fernando Ceron comentou 2 anos atrás

Quando voce encaixa na localidade, o novo fica belo e encantador, animando a perdurar o que puder e desfrutar tudo que o lugar oferece. Ainda farei.

Dayane Moura

Dayane Moura comentou 2 anos atrás

Belo texto...eu acredito que todos devemos em algum momento da vida, ter essa experiência... Ano que vem, pretendo partir para Dublin e viver um pouco disso tudo.

Thais Stevanatto

Thais Stevanatto comentou 2 anos atrás

Adorei o texto, eu e marido estamos fazendo o mesmo, vendendo tudo para ter a experiência de intercâmbio na Austrália. Ansiosos para vivenciar nova cultura, aprender e evoluir ...

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