Como eu quase fiquei sem gasolina na minha viagem de moto pela Bolívia


 Salar de Uyuni, Bolivia    4102 visualizações

Nenhum amigo meu conseguiu tirar férias junto comigo, por isso resolvi partir sozinho de moto nos 1.500 km que ligam Corumbá (MS), onde moro, até o Salar de Uyuni, na Bolívia. Seria minha primeira grande viagem com minha Tenere 250. Moto é uma paixão descoberta em 2008.

Antes de sair, em outubro do ano passado, eu fiz uma extensa pesquisa, afinal eu ia andar de moto sozinho na Bolívia por 12 dias. Eu fiquei sabendo que a gasolina tem um preço diferente para estrangeiro, que chega a ser mais de três vezes o valor convencional. O governo boliviano tomou essa decisão em 2009, para impedir o contrabando do combustível para os países vizinhos.

Eu só não imaginava que fosse ser tão difícil conseguir a gasolina. Nas cidades pequenas e na beira da estrada, até que era fácil abastecer, apesar do preço estratosférico. Agora, nos maiores centros, como Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba, era um desafio tremendo. Os frentistas davam as desculpas mais esfarrapadas possíveis e se negavam a encher meu tanque.

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Eu pensava ‘será que existe uma lei que proíbe a venda da gasolina para estrangeiro e não estou sabendo?’ Como nos postos dessas cidades existe um controle maior do governo, para evitar que venda a preços mais baratos a forasteiros como eu, os frentistas ficavam com medo até de vender a gasolina. Era uma sensação bem estranha.

Quando estava em Santa Cruz, passei o pior dos perrengues. Já era noite, o combustível estava na reserva e nenhum posto queria encher meu tanque. Se eu chegava com a moto, viam a placa do Brasil e na hora já me negavam o combustível. Perdi a conta de quantos postos fizeram isso comigo.

A solução foi comprar um galão e tentar enchê-lo. Adotei a estratégia de deixar a moto no hotel e ir a pé procurar um posto. Mas os problemas não acabaram por aí. O sotaque entregava facilmente que eu era estrangeiro, e aí vinha a resposta padrão: “nós não estamos autorizados a vender gasolina para estrangeiro”.

Com muito esforço, consegui convencer um frentista a me vender. Mesmo assim, não foi uma tarefa fácil. Ele precisou sair do alcance das câmeras, que estão por toda a parte nesses postos controlados pelo governo. Enfim eu tinha gasolina para pegar a estrada novamente na manhã seguinte.

Não bastasse esse sufoco, passei por um outro, ainda maior. Eu resolvi parar em Chalapata, uma cidadezinha próxima à Potosi. Passei a noite e acordei pronto para seguir viagem. O que eu não sabia é que naquele dia eram eleições municipais e nenhum veículo estava autorizado a deixar a cidade até o fim da votação! Ela estava deserta, parecia clima de cidade sitiada.

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A mulher do hotel me avisou, mas eu tentei burlar as regras e sair de fininho. Não deu nem um pouco certo: os policiais pularam com tudo na frente da minha moto, de forma pitoresca. “No, no puede, no, no puede”, repetiam para mim. Queria muito ter filmado essa cena.

Tive que esperar até seis horas da tarde, quando liberariam o trânsito novamente. O problema é que aquela região da Bolívia é bastante montanhosa, e faz um frio danado. Andar de moto depois do sol se pôr é um sacrifício pelo qual eu não queria passar, ainda mais porque eu estava com soroche, aquele temido mal-estar de altitude. O jeito foi passar mais uma noite lá.

Mas a viagem foi incrível, a paisagem na Bolívia é muito bonita, e as estradas são boas. Andar de moto pelo deserto de sal de Uyuni foi uma das melhores sensações que já tive na minha vida. Não vejo a hora de fazer uma viagem dessa de moto novamente.

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Perfil do viajante e motociclista Leandro Nogueira

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