Tinha uma dançarina no caminho


 Ibiza    1822 visualizações

Eu usei todo o tipo de drogas durante os cinco meses que morei em Ibiza. Ecstasy, Cocaína, Maconha, Haxixe, Ketamina, MD, cogumelos, balões e até Kalimagra. Entretanto nada me viciou. Nada exceto Carmen.

Carmen era uma gogo dancer anglo-colombiana que trabalhava comigo no The Zoo Project. Ela era baixinha, mas tinha um corpo escultural, pele dourada e olhos esverdeadamente maliciosos. Uma mulher para deixar qualquer homem babando. E comigo não seria diferente.

O primeiro mês em Ibiza foi tenso. Eu trabalhava em uma boate de strip-tease chamada Taboo durante as madrugadas e durante os dias vendia ingressos para festas além de fazer entrevistas para os trabalhos que eu realmente queria. Meu melhor amigo era um imbecil australiano chamado Alex. Para você entender um pouco melhor o nível de imbecilidade de Alex, deixe-me contar uma pequena história.

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Uma noite Alex encheu o cú de pastilhas de Ecstasy chamadas Xbox Verdes e resolveu que subiria pela varanda do meu quarto para me dar um susto. A escalada não seria algo trivial para uma pessoa em estado normal. E o fato de Alex estar completamente drogado não o ajudou muito. Não foi a toa que Alex caiu antes de conseguir completar a escalada e ficou sem poder andar por duas semanas, o que lhe rendeu o apelido de Inválido.

Exatamente por Alex ser um imbecil eu tomei a decisão de não morar com ele, apesar de ser meu melhor amigo naquele primeiro mês. Minhas colegas de quarto eram quatro meninas inglesas semi-desconhecidas. Parece o sonho de qualquer homem, não? Bom, era um pesadelo. Explosões de TPM conjuntas, uso demasiado de tempo no banheiro e a construção de uma muralha da China metafórica ao redor do meu pau.

Eu passei um mês sem conseguir transar em Ibiza. Um mês vendo garotas incrivelmente gostosas fazendo topless na praia. Um mês tendo porteiros de hotel não me deixando subir para o quarto de meninas com quem tinha ficado na balada. Um mês com alguma filha da puta passando mal, pedindo ajuda da melhor amiga e me separando da menina que eu estava beijando na hora H. Um mês que o universo conspirava para que eu sofresse. Se você é homem e está lendo isso, você vai entender. Se é mulher, me desculpe, prometo que as coisas melhoram daqui para a frente.

Onde eu estava? Ah , sim, o primeiro mês realmente não foi fácil. Mas enfim eu consegui o emprego dos sonhos: Relações Públicas de uma das melhores baladas da ilha, o Zoo Project. E o universo voltou a conspirar ao meu favor.

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Eu fiquei com a Carmen na festa de abertura do Zoo. Fiquei mas não transei. Meu gerente ficou puto comigo porque era louco por ela. Mesmo assim eu não liguei. Queria aquela mulher para mim.

Foi na segunda edição do Zoo Project que minha muralha da China metafórica finalmente caiu. Eu estava com febre, tosse e gripe. Mesmo assim, eu apertei um botãozinho escrito foda-se na minha cabeça e fui para a night. E eu fiquei com Carmen de novo. E nós fomos para a minha casa, que milagrosamente estava totalmente vazia.

Sabe a música “Sexual Healing”? Ela passou a ter um significado muito mais amplo para mim depois daquela noite. Não sei se era pelo fato de eu ter ficado um mês sem transar. Ou se pelas habilidades de gogo dancer de Carmen. Quando a noite acabou eu estava curado.

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E você deve estar se perguntando o que eu fiz no dia seguinte, não? Se mandei mensagens? Se a encontrei de novo? Bom, meu caro leitor, vou te falar o que eu fiz: transei com uma romena maravilhosa que era hostess de um restaurante na praia de Santo Antônio.

Como já dizia o poeta Brancas, “a vida é bela, a gente que fode ela”. Eu vivi uma semana maravilhosa de amor com Carmen. E decidi que abdicaria de todas as outras por ela. E foi aí que ela descobriu da romena. Não foi o carro da pamonha, mas chegou na hora certa.

Primeiro eu fui xingado em inglês. Depois as coisas ficaram mais quentes e eu comecei a ser xingado em espanhol. E no meio do meu desespero eu tentei me defender em italiano e em português. Foi um término de namoro poliglota.

Eu dormi chorando e acordei chorando. Três dias seguidos. Foi então que eu decidi que era hora de lutar pela minha felicidade. E foi o que eu fiz. Com uma série combinada de donuts e orgasmos múltiplos eu reconquistei Carmen.

Quando eu estava em Istambul, um amigo turco leu minha sorte na borra do café. Ele me disse que teria uma dançarina no meu caminho. Eu sorria pensando nisso quando estava ao lado de Carmen. Nós íamos a praias paradisíacas como Reggae Beach e Cala Gracio e víamos o sol se pôr escutando algum DJ como Steve Aoki ou Bob Sinclair nas pedras do Café Mambo. Realmente, tinha uma dançarina no meu caminho.

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Eu tinha aprendido minha lição. Eu não era mais um cafajeste. Estava comportado, na coleira. E estava orgulhoso da menina que estava ao meu lado. Pela primeira vez em muitos meses eu me sentia seguro, tinha alguém que se importava e cuidava de mim. Alguém excepcionalmente bonita e boa de cama, por sinal. Como eu fui idiota.

Do nada nós brigamos. Eu não tenho certeza, mas acho que a gente terminou. E eu transei com minha vizinha, que era uma shot girl também do Zoo Project. E com uma canadense em um supermercado (quem nunca). Depois disso Carmen nunca mais falou comigo. Nem olhou mais para a minha cara.

Aqui vai mais uma citação poética: “amor que fica é amor de pica”. Era impossível esquecer Carmen. Eu tinha ficado viciado nela. Eu não era mais eu mesmo sem ela. Precisava dela novamente. Acabei entrando no loop do coelho branco, tentando encontrar meu país das maravilhas em outros corpos. Nada me satisfazia. E toda vez que eu a via dançar no Zoo Project eu chorava. E ela ria.

O tolo que provoca uma mulher de caso pensado acaba criando para si mesmo um anjo mal e um próprio inferno, a qual todos tormentos são leves distrações se comparados. Eu aprendi isso do pior jeito. Se coloque no meu lugar. Você está apaixonado, toma um pé na bunda do nada, é tratado diariamente com total desprezo e está usando uma caralhada de drogas que afetam seu humor. Não foi uma época fácil para mim.

Porém, eu não estava sozinho. A ilha não me deixou desemparado. Uma das razões de Ibiza ser tão visitada é porque é um dos pontos mais magnéticos do mundo. Lá você atrai o que deseja. Ou o que precisa. E eu precisava de amigos de verdade.

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Um dia antes do meu romance terminar, Carmen me apresentou para um barman brasileiro que trabalhava no Ibiza Rocks chamado Bernardo. E eu marquei uma cerveja com Bernardo e um outro brasileiro apelidado por mim de Cocaine Eyes. Juntos, depois, nós fomos para uma balada onde achamos um brasileiro que tinha virado mendigo e que futuramente conheceríamos por Homeless (lê-se Romelésse). Eu disse que o Homeless poderia dormir e comer na minha casa, e no caminho até lá esbarramos em um dos meus melhores amigos até hoje, a lenda viva, Thiago Silencioso. E depois, com acasos e descasos da ilha, vieram Pajé, Pelucinha, Peterson Foca e Tattoo Jô. A família estava formada.

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Seriam eles que me ajudariam a esquecer a Carmen. E também fariam minha temporada valer a pena. Com eles eu teria amnésia na Amnésia, iria para uma rave numa cave que acabou sendo em uma floresta, criaria uma casa própria conhecida de República das Bananas, tomaria uma facada, acharia Atlantis, me apaixonaria outra vez, faria uma tattoo nova, pularia de um penhasco, faria uma versão da “Banheira do Gugu” na casa de um traficante, iria parar no show do Fat Boy Slim do nada entre outras coisas.

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Meu amigo turco estava certo, tinha uma dançarina no meu caminho. Ela me levou até os amigos que fizeram minha temporada em Ibiza ser o que foi.

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COMENTÁRIOS:

Marcela De Souza

Marcela De Souza comentou 9 meses atrás

Acho que a forma como você vê a sua vida e suas viagens é sensacional!!! Obrigada por compartilhar! Vou ficar dois dias em Ibiza e depois Mallorca... quero dicas :)

Stefano  Giorgi

Stefano Giorgi comentou 9 meses atrás

Marcelo, m add no Facebook. Vai ser o maior prazer te dar todas as dicas possíveis!


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