Não importa onde, o importante é sentir-se bem


 Porto, Portugal    2581 visualizações

Há um bom tempo venho pensando e repensando em várias situações do meu cotidiano e tenho observado que muitas pessoas, de diferentes idades e profissões, também estão vivendo com a companhia (in) desejada da insegurança de que estão fazendo algo que realmente gostam.

 

Leio vários textos de quem teve a coragem (ou audácia) de largar tudo para desbravar o desconhecido e se aventurar pelo mundo por tempo indeterminado e confesso que estou criando dentro de mim a mesma vontade. Não para fugir dos problemas que o nosso país vem enfrentando há décadas. Mas para realmente encontrar a minha essência e viver de uma forma mais leve – um desejo que sempre tive dentro de mim.

 

Por vezes é difícil traduzir em palavras o que se passa dentro do nosso coração, mas a verdade é que, depois que eu embarquei rumo à minha primeira viagem, muita coisa mudou. Mas mudou mais ainda depois de fazer um intercâmbio de seis meses na Cidade do Porto, em Portugal. Sempre digo que antes daquela experiência eu era um Tiago e depois me tornei outro. E fui modelando minha personalidade, meu jeito de ser e meus objetivos diante de várias adversidades vividas naquela época. Mesmo assim, minha essência permanece a mesma, o que me orgulha muito.

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Mas aí vem a questão: mesmo tendo sofrido ou sentido muita saudade da família e dos amigos, valeu a pena? Valeu. Valeu muito. Confesso que minha idéia de estudar na Europa, à época, era de que tudo seria um mar de rosas, que eu me encantaria com a cidade o tempo todo. Hoje vejo que me enganei de certa forma, pois com o passar dos dias aprendi que a rotina surge onde quer que você esteja, mas que ela pode ser driblada de maneiras diferentes, tornando-se algo super agradável.

 

Nunca me esqueço de uma conversa com uma amiga que me disse o seguinte: “imagina que tu estás dentro de um filme e que simplesmente tu deste uma pausa. Quando tu voltares, clica no play que tudo vai voltar a ser como antes. As pessoas estarão te esperando, tua casa estará lá, tuas coisas, etc”. Enfim, isso me motivou muito e aprendi que os três estágios daquela experiência foram essenciais para que eu pudesse viver o meu intercâmbio da melhor forma possível e transformá-lo na melhor experiência da minha vida até então.

 

Os estágios a que me refiro são estes: o primeiro é o do deslumbramento; tudo é lindo, mágico e fascinante. Novas pessoas, novas culturas, prática de uma língua diferente, aventuras. O segundo começa quando tudo o que era novidade dá espaço a uma certa rotina e então todos aqueles detalhes da rua e do que está ao seu redor se transformam em algo trivial e a nossa atenção não está mais neles e sim nos compromissos ou outros assuntos mais “importantes” que assumimos. Nesse meio tempo surge a saudade e a vontade de sair correndo para os braços daqueles que nos conhecem desde o nosso nascimento (ou muito antes). O terceiro, quando se tem data para voltar, é um dos mais doloridos, pois é o momento de olhar pra frente e se questionar: “agora que está tudo encaminhado, já sei contornar a saudade, estou estudando/trabalhando tenho amigos-irmãos que ficarão por aqui ou morarão em outras cidades, eu preciso mesmo partir?”

 

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Essa parte realmente dói. E isso acontece porque valeu a pena cada momento. Superei situações que não estavam no meu roteiro e aprendi a lidar com pessoas que até então “não existiam”, algumas parecidas comigo e outras muito diferentes. Foi assim que se tornou perceptível a minha mudança.

 

Deixei a casa dos meus pais e a mordomia do dia-a-dia justamente para sair da zona de conforto e fazer valer a pena cada segundo, possibilitando me tornar uma pessoa melhor. E depois dessa experiência senti que eu posso muito mais. Posso viajar sozinho e me virar com uma língua estrangeira. Posso me perder andando de ônibus ou a pé e sei que de alguma forma vou encontrar o caminho de volta. Posso cair, mas sei que tenho forças para levantar e seguir em frente. E posso batalhar para ter o melhor futuro que eu escolher – onde quer que seja!

 

É por isso que dou tanta importância às minhas andanças pelo mundo, pois sei que tenho capacidade de conviver comigo mesmo. Se me sentir sozinho, vou conhecer outras pessoas e fazer amigos para a vida, como já tenho espalhados por vários lugares. Isso me faz feliz. Me faz viver.

 

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Não sou do tipo que precisa gastar dinheiro a todo instante com bens materiais. Tem gente que se sente feliz quando compra seguidamente várias peças de roupa, itens para o automóvel ou seja lá o que for. Ok, respeito e também gosto disso – às vezes. Por isso viajo. Justamente pelo fato de que recebo muito mais em troca. Não há palavras que expressem essa sensação de liberdade e de descobrir o novo, seja onde for, perto ou longe.

 

Fico extremamente feliz quando converso com pessoas realizadas pessoal e profissionalmente. Este é um dos sentidos da vida. Mas sinto uma felicidade imensa quando as pessoas realmente sentem interesse em ouvir algumas das minhas histórias, se empolgam junto comigo e compartilham das minhas emoções. Numa viagem ao Canadá, para comemorar o casamento de um grande amigo, a moça que me hospedou pelo Couchsurfing me disse algo marcante: eu fui a primeira pessoa que ela conheceu capaz de repassar emoção pelas palavras, e ainda com brilho no olhar. Falei muito (por horas) e aquele momento passou sem a gente perceber. Por conta de situações como esta que gosto de eternizar o que vivo através de fotografias. Sou amante desta arte (mas estou longe de ser profissional) e revelo milhares. Não só de viagens, mas de tudo que merece ser recordado. E fazer uma pessoa que não viveu aquele momento sentir emoção é impagável. 

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É por isso que carrego dentro de mim a célebre expressão “keep walking” (continue andando) e seja feliz. Não importa onde, como ou com quem. Mantenha-se vivo dentro daquilo que te faz bem. Guarde boas lembranças, mas trabalhe e se jogue para ter outras mais. Dar importância ao que os outros pensam ou vão pensar é uma forma de diminuir seus sonhos.

 

 

Obviamente precisamos pensar no nosso futuro e buscar uma vida plena e realizada. Mas isso não significa que tenhamos que viver somente com foco no trabalho, buscando uma aposentadoria. No meio deste grande caminho existe vida e ela precisa ser vivida da melhor forma possível. Depois pode ser tarde e ao final de tudo não levamos nada senão recordações. O que precisamos deixar é simplesmente uma imagem de quem realmente somos/fomos, na nossa mais pura essência.  

 

Autor: Tiago Imperatori, brasileiro, gaúcho, Advogado, viajante e amante do mundo. “Wanderlust” o define. Siga: @imperatoriwanderlust E-mail: tiagoimperatori@gmail.com

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COMENTÁRIOS:

João Guerreiro

João Guerreiro comentou 1 ano atrás

Muito Legal!

Tiago Imperatori

Tiago Imperatori comentou 1 ano atrás

Valeu, João Guerreiro!

Giovana Batista

Giovana Batista comentou 1 ano atrás

Texto muito inspirador!

Tiago Imperatori

Tiago Imperatori comentou 1 ano atrás

Muito bom saber, Giovana! Obrigado!


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