Como conheci a minha mulher no meu primeiro mochilão


 Marrakech, Marrocos    2365 visualizações

Eu não queria ir para Marrakech. Com tantas cidades maravilhosas pelo caminho, o que fazer lá?  O autor da ideia me convenceu por um motivo um tanto simples: o preço da passagem. Achamos preços incrivelmente baratos e resolvemos passar quatro dias na tal Marrakech.

Era maio de 2011 e iria iniciar um mochilão de mais de 20 dias com alguns amigos. Na época, estudava inglês em Dublin, mas me mudaria em breve para o interior. Me incomodava a quantidade de brasileiros na capital irlandesa. Não queria gastar o dinheiro do meu intercâmbio falando português. Nesse meio tempo da mudança, encaixei a viagem que mudaria para sempre minha vida.

 

Após passagens por Londres, Oslo, Atenas, Paris, Bruxelas e Madri, chegamos, finalmente, ao Marrocos. Cansados dos dias seguidos de viagem, decidimos dormir cedo e acordar tarde no dia seguinte. Mas isso era impossível na companhia de Lincoln. Por onde passava, ele queria fazer novas amizades.

 

Eis que na manhã seguinte, bem cedo, muito antes do combinado de levantar, ouço vozes próximas ao meu quarto. Acordo revoltado com tamanha falta de respeito àquelas horas. Saio do meu quarto, chuto sem querer uma mesa cheia de croissants e chás e vou ver o que está acontecendo. Lincoln, sempre ele, conversava em um inglês complexo com mais duas meninas, as quais eu já odiava desde o início do meu dia. “Pô, velho, são 6h da manhã”. Assim que falei isso, a risada tomou conta do lugar: era uma brasileira e uma portuguesa. O inglês era totalmente desnecessário.

 

Willian Zachow adicionou foto de  Foto 1

 

Como vocês podem perceber, tenho um péssimo humor pela manhã. Voltei a dormir e desta vez não fui incomodado. Pouco depois, já de humor melhorado, começo a conversar com as meninas, tomamos café juntos e uma delas me oferece seu chá e bolo. Conversa vai, conversa vem, convidei as duas para saírem com a gente conhecer a cidade. A portuguesa não pode ir, mas a brasileira aceitou.

 

Fomos a lojas locais, almoçamos, andamos de camelo e nos divertimos bastante. Na verdade, a tal Marrakech era interessante e a companhia da menina foi muito agradável. Ela, no caso, era Priscila, intercambista, morando em Malta (que eu não fazia ideia que existia) e viajando sozinha em uma espécie de pequeno mochilão, já que uma amiga havia desistido de lhe acompanhar.

 

Antes de dormir fiquei pensando em como ela era bacana, parecia ter gostos parecidos com os meus e, acima de tudo, era uma mochileira. Só isso faria uma enorme diferença. Percebi que estava a fim dela e, no dia seguinte, resolvi investir, ali mesmo, no hostel. Deu certo. Não nos desgrudamos um segundo. Mas tudo que é bom dura pouco: na outra manhã ela já tinha que seguir seu rumo. Acompanhei-a até o aeroporto. Foi uma sensação meio foda, como se tivesse “acontecido”, mas eu nunca mais fosse vê-la. Mesmo assim, prometi visitá-la no meu aniversário, cerca de dois meses depois.

 

Antes de terminar meu mochilão, já conversávamos sem parar. Sempre que eu conseguia um pouco de sinal de internet, arranjava tempo para mandar uma mensagem para ela. Quando voltei à Irlanda, foram quase três dias seguidos de Skype. Menos de dois meses depois, em meados de julho, lá estava eu em Malta a visitando, como prometido. Passamos uma semana matando a saudade. Menos de 15 dias depois, era a vez dela ir para a Irlanda ficar uma semana. Choveu o tempo todo, mas isso não foi nenhum problema.

 

Quando ela retornou a Malta, já tínhamos em mente morar juntos. Foi tudo muito rápido. Menos de um mês depois, no final de agosto, me mudei para o país que até pouco tempo atrás eu ignorava a existência. Meus pais tinham ido me visitar na Irlanda e apoiaram a minha decisão. Ficamos até o final de novembro, quando retornamos para o Brasil.

 

Eu sou de Fraiburgo, interior de Santa Catarina, tinha 22 anos. Ela, de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, tinha 19 anos. Passamos o Natal de 2011 juntos, em casa. Com o tempo, os problemas começaram a aparecer e o namoro à distância não sobreviveria. Resolvemos morar juntos, em um apartamento dos meus pais em Fraiburgo. Peguei um ônibus até São Bernardo do Campo e fui conversar com o pai dela, que não impôs maiores problemas. 

 

Nos casamos no final de 2013. Na lua de mel viajamos para a Europa e agora estamos planejando um mochilão pela América do Sul. Não imaginava encontrar alguém logo no primeiro mochilão, mas a gente sempre viaja com a expectativa de conhecer uma pessoa legal. Eu estava no lugar certo, na hora certa.

 

Por Willian Zachow

 

 

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COMENTÁRIOS:

Elaine Moraes

Elaine Moraes comentou 1 ano atrás

Sensacional William!Vc estava mesmo no lugar certo,na hora certa!Conhecer a mulher da sua vida em um lugar tão distante mas tão maluco e espetacular como Marrakech!Tambem conheci minha quase cara metade ai,mas o final não foi nada feliz,mas foi uma baita experiência!Felicidades mil ao casal!!!

Kris Kuchenbecker Varela

Kris Kuchenbecker Varela comentou 3 meses atrás

Oi, Willian! Que legal sua história. Me identifiquei bastante pois, além do fato de eu também ser catarinense, também conheci meu marido numa viagem! Realmente é uma ótima história pra contar :D Felicidades e muitas viagens pra vocês!

Willian Zachow

Willian Zachow comentou 3 meses atrás

Oi Kris, bacana né ? Felicidades pra vocês também e acima de tudo, muitas viagens.


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