A vez em que vários desconhecidos me ajudaram a achar meu celular


 Avignon  

No meio do meu intercâmbio na França, em Lyon, fui para Avignon com uns amigos. De lá, pegamos um ônibus para Pont du Gard, um parque muito visitado por lá. Quando eu levantei do meu lugar, TUM, ouvi um barulho, mas não sabia direito de onde vinha. Naquela correria de todo mundo descer junto, também não me preocupei muito. Assim que comprei o ingresso para o parque, no entanto, eu percebi: o barulho era do meu celular caindo no chão do ônibus.

O desespero tomou conta de mim. Eu precisava recuperar meu celular! O ônibus havia ido embora. Liguei para a empresa do ônibus e me informaram que a seção de achados e perdidos só funcionava de segunda a sexta. Era final de semana e eu já ia embora no mesmo dia. A atendente pediu desculpas e disse que não havia nada que ela pudesse fazer. Pouco depois ela me ligou com uma dica preciosa: o mesmo motorista, do mesmo ônibus, iria passar de novo onde eu estava, só que em duas horas.

Eu estava decidida a encontrar esse celular. Sabia que o ônibus iria para a rodoviária. Procurei, então, hotéis perto, para ver se alguém conseguia me ajudar, encontrando o motorista do meu ônibus. Contei minha história para o recepcionista, o cara deu risada, disse até que me ajudaria, mas não podia sair do hotel pois estava sozinho. Ele me passou o número de um taxista que fica ali na frente, quem sabe ele não conseguia me ajudar?

Patricia Figueiredo adicionou foto de Avignon Foto 1

Detalhe, fiz todas essas ligações enquanto a gente aproveitava o parque. Lá vou eu ligar para o taxista. Falei para ele: "minha história é essa, consegue me ajudar? Você pega o celular pra mim, e eu pego um táxi até onde você está". Ele disse que ia tentar, era para eu ligar em 15 minutos. Foram os 15 minutos mais longos da minha vida. Meus amigos tirando fotos, e eu nervosa. 15 minutos depois: "Infelizmente não consegui encontrar. O ônibus já tinha passado. Desculpas".

Eu desisti, né, já era esse celular. Continuei no parque até que, logo depois, o celular da minha amiga tocou novamente. Era uma mulher da empresa de ônibus falando que acharam meu celular! Mais do que isso, ela me disse que o ônibus iria passar de novo onde eu estava, saindo de tal lugar, tal horas, e chegando aqui tal horas. Eu liguei de novo para o taxista e implorei para ele: "por favor, por favor, agora vai dar certo, o ônibus vai estar lá, agora vai dar certo, você pode ir lá de novo?". "Tá, vou tentar, me liga em 15".

Fiquei esperando mais 15 longos minutos. "Patrícia, né? Pera aí, vou passar para o motorista do ônibus".

- Celular difícil, hein? Estava escondido, lá no fundo.

- Mas você achou? Achou mesmo?  

- Sim. Em 40 minutos estou aí onde você está. Me espera!

- Claro.

Eu ainda não estava acreditando, para mim não tinha dado certo. Meus amigos estavam lá e esperaram comigo. Estava frio, chovendo. Finalmente chegaram o ônibus e o motorista. "Nossa, difícil esse celular, estava muito escondido". Eu estava muito feliz!

Meus amigos falaram que eu mobilizei até a Interpol para conseguir encontrar esse celular. Quando falei com o motorista por telefone, as pessoas do parque comemoraram, todo mundo "YEAH". Isso tudo em um sábado de manhã, fiquei a manhã inteira sem celular e foi dificílimo resolver tudo em francês. Achei essa história surreal, eu queria contar para todo mundo. Meu namorado acordou com um monte de mensagens no celular dele.

Foi um sentimento de vencer na vida, quando todo mundo já me dizia "já era". Isso me restaurou a fé nas pessoas e mostrou que os franceses podem não ser tão calorosos, mas também não são "nem aí" como a gente muitas vezes imagina.

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